A CONSTRUÇÃO DE VIADUTOS E A DEMOLIÇÃO DA PERIMETRAL

“O viaduto é a menor distância entre dois engarrafamentos…”
Jaime Lerner – arquiteto e urbanista, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná.

Ampliação das vias de acesso e construção de viadutos e túneis estão sempre na pauta de sugestões de melhoria do tráfego urbano. Especificamente para a Barra da Tijuca, fiz o seguinte comentário, através do jornal O Globo:

Na qualidade de morador da Barra da Tijuca, saúdo a abertura da temporada de promessas para melhorar o engarrafamento nosso de cada dia. Pode ser que agora saia alguma coisa do papel, porque num piscar de olhos Copa do Mundo e Olimpíadas estarão por aqui. Aproveito para dar uma sugestão à Engenharia de Tráfego da cidade: um viaduto de mão dupla ligando o Cebolão à ponte da Joatinga. Milhares de pessoas que chegam à Barra não desejam circular por todo o bairro, apenas se dirigem para depois do Cebolão, sentido Recreio dos Bandeirantes, ou para a avenida Ayrton Senna, sentido Linha Amarela. Para os que vêm do Recreio ou saem da Barra, a maioria só quer alcançar a ponte da Joatinga, em direção à Zona Sul. Com isso, deixaremos mais livres, para circulação interna, as avenidas das Américas, Armando Lombardi e Lúcio Costa (O Globo, 5/8/10)

Fiquei pensando sobre isso por alguns dias, quando me veio à cabeça a frase de Jaime Lerner e decidi colocá-la na abertura do livro.

Construir viadutos é coisa séria. É preciso se pensar muito nos efeitos colaterais. É igual a remédio, só tomamos porque o benefício é muito maior que os seus efeitos adversos. A construção de um viaduto pode se transformar numa monstruosidade arquitetônica. Jaime Lerner tem razão e não tem o menor sentido minha sugestão.

Recentemente, a Prefeitura decidiu derrubar o elevado da Perimetral, argumentando que ele destruiu a paisagem urbana da zona portuária e do Centro da cidade como um todo. Lembrei-me do elevado sobre a avenida Paulo de Frontin, que esfacelou urbanisticamente um bairro inteiro — o Rio Comprido.

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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