ENGARRAFAMENTO SEM BISCOITO GLOBO, NEM PENSAR.

      Ícone do carioca, símbolo da cidade, o Biscoito Globo é luso-brasileiro e mineiro-paulista-carioca. Padeiros portugueses, mestres na confecção de doces, bolos, pudins e biscoitos, introduziram um ingrediente brasileiro — polvilho (farinha de mandioca) — para fazer biscoitos e vendê-los nas padarias, e assim surgia o biscoito de polvilho, em Minas Gerais, junto com o famoso pão de queijo. 
Em São Paulo, em 1953, os irmãos Milton, Jaime e João Ponce Fernandes, em virtude da separação dos pais, foram morar nos fundos da padaria de um tio, no bairro do Ipiranga. Os irmãos aprenderam a fazer biscoitos de polvilho com o primo, e os vendiam nas ruas da capital paulista. VEJA O VÍDEO (link atualizado no post de 29/9/2016).

Em 1954, aproveitando o Congresso Eucarístico no Rio de Janeiro, evento que reunia milhares de pessoas, os irmãos Ponceresolveram vender seus biscoitos na capital carioca. O sucesso de vendas foi tão grande que eles anteviram que a cidade seria o mercado ideal para seu produto. VEJA O VÍDEO (link atualizado no post de 29/9/2016).
Em 1955, conseguiram emprego na padaria Globo, na rua São Clemente, 29, Botafogo, e passaram a fazer os biscoitos que seriam então distribuídos para outras sete padarias, todas dos mesmos donos — os portugueses Alfredo Nobre e José Morgado. 
Foi Alfredo que criou o rótulo usado até hoje, relacionando o nome do biscoito com o mundo (um boneco sorrindo, cuja cabeça é um globo terrestre), circundado por desenhos representando as Torres de Belém (Lisboa), Eiffel (Paris) e Pisa (Itália), ao lado do Pão de Açúcar (Rio de Janeiro), com o slogan “Biscoito Globo, todo mundo come.”
A venda não parava de crescer, e os três irmãos se associaram ao português e padeiro Francisco Torrão. Compraram a padaria Panificação Mandarino e registraram a marca Biscoito Globo. Anos depois, fizeram uma pequena fábrica na rua do Senado, Centro da cidade.
Os sócios e filhos trabalham até hoje no mesmo lugar, e a partir das quatro horas da manhã, todos os dias, mais de 200 vendedores ambulantes fazem fila para comprar os sacos de biscoitos, que são vendidos principalmente nas praias, em engarrafamentos e estádios de futebol. 

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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