OS IRMÃOS REBOUÇAS

Lembrados em grandes cidades do Brasil. No Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, identificamos seus nomes estampados em placas de túneis, ruas e famosas avenidas. 
O pai, Antônio Pereira Rebouças, famoso abolicionista, foi um respeitado rábula (advogado autodidata) que representou a Bahia na Câmara dos Deputados em diversas legislaturas. Era filho de uma escrava alforriada e de um alfaiate português, e por sua ascendência paterna portuguesa herdou liberdade, e a transferiu a seus descendentes. Teve sete filhos com Carolina Pinto Rebouças.
Dois de seus filhos, André e Antônio, nasceram em Maragogipe, cidade do Recôncavo Baiano. Em 1846, a família migrou para o Rio de Janeiro, ingressando os irmãos no curso de engenharia da Escola Militar, em 1854 — embrião da Escola Politécnica. Como engenheiros militares foram promovidos ao posto de segundo-tenente do Corpo de Engenheiros, em 1857. Diplomaram-se em 1861, fazendo depois estudos complementares de engenharia na França. 
Antônio Rebouças se dedicou à construção de estradas de ferro, como a de Paranaguá, considerada uma das maiores e mais belas obras da engenharia brasileira. Morreu em 1874, de tifo. André Rebouças projetou obras de abastecimento de água do Rio de Janeiro e as docas da Alfândega. Foi engenheiro do Exército durante a Guerra do Paraguai. 
Conselheiro de D. Pedro II, ao lado de Machado de Assis e Olavo Bilac, André foi um dos representantes da classe média brasileira com ascendência africana e uma das vozes mais importantes em prol da abolição da escravatura. Em 1892, com problemas financeiros, aceitou um emprego em Luanda, Angola, onde permaneceu por 15 meses. Fixando-se em Funchal, na ilha da Madeira, em 1893, seu abatimento intensificou-se. Suicidou-se em 9 de maio de 1898, e seu corpo foi resgatado na base de um penhasco, próximo ao hotel em que vivia. 

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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