A RUA SÃO CLEMENTE A PARTIR DE DUAS FOTOS E A SANTA MARTA NO DONA MARTA

As duas cenas insólitas acima foram clicadas pelo amigo deste blog, Marcello Miranda, na rua São Clemente. Disputando a mesma faixa, um motorista de caminhão da Comlurb e um cadeirante. Essa não! Na segunda foto, ele estende o braço e indica que vai tomar aquela direção ou pede ao motorista do caminhão para ultrapassá-lo por ali?

No livro Sorria, você está engarrafado, dedico um trecho para falar dessa famosa rua e seu engarrafamento na volta para a casa.

DE BOTAFOGO À BARRA DA TIJUCA

O local de partida é a esquina da rua Marquês de Olinda com Praia de Botafogo. Da Praia, entre na rua São Clemente. No primeiro sinal fechado, de muitos que virão, olhe para cima, você pode precisar de ajuda, e vai encontrar o Cristo Redentor de braços abertos.

Clemência, como sugere o santo que dá nome à rua, é a primeira palavra que vem à cabeça quando você se depara aqui com um engarrafamento monstruoso. Saída de colégios à direita, local onde carros, vans e ônibus disputam uma ensandecida luta por espaço.

Mas nunca imaginei uma disputa cadeira de rodas x caminhão, não podendo deixar de registrar que o motorista foi clemente diante da situação. Claro que sabemos por que o cadeirante estava ali. Já notaram o espaço da calçada dessa rua e da maioria de nossas ruas? E a importância que damos aos portadores de necessidades especiais?

POR QUE O NOME SÃO CLEMENTE? 

Em 1680, parte da região de Botafogo era do Padre Clemente de Matos, que a denominou de Chácara São Clemente (homenagem ao santo que deu origem ao seu nome de batismo), e ia da enseada até Lagoa de Sacopenapã (rebatizada em 1703 como Rodrigo de Freitas, seu dono). Depois, mandou abrir uma rua que ligasse um extremo a outro e deu o mesmo nome, rua São Clemente.
 

QUEM FOI ESSE PADRE?

Era costume naquele tempo, o filho mais velho herdar a profissão do pai, ficando Clemente destinado a ser padre, profissão de muito prestígio. Ainda adolescente, foi para um seminário em Lisboa.

Lá não completaria seus estudos, sendo expulso, ao que se consta, por ter se envolvido com mulheres. Com ajuda do avô rico, terminou seus estudos num seminário em Roma, voltando ao Rio por volta de 1650 como padre, sendo nomeado tesoureiro da Igreja Matriz. Sua administração foi um fracasso para a Igreja que foi abandonada, mas para ele foi um sucesso – ficou rico. Com isso adquiriu as terras da chácara em 1680. 

 

DONA MARTA E SANTA MARTA

Em homenagem à sua mãe, que morreu no Rio de Janeiro em 1698, Clemente batizou o morro circundante de suas posses como Morro Dona Marta. 

Em 1980, os moradores denominaram a favela de Santa Marta. A comunidade começou a surgir em 1930 no terreno do Colégio Santo Inácio, que permitiu que seus funcionários morassem ali. Então, ficou assim: a Santa Marta fica no Dona Marta. E para finalizar, o Padre Clemente morreu em 8 de junho de 1702, aos 74 anos.

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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