ENGARRAFAMENTO, UMA DOENÇA SINDRÔMICA.

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Chevrolet: “Todos juntos fazem um trânsito melhor” (campanha de marketing veiculada pelos jornais). Não fosse a Chevrolet uma empresa renomada, e que deve ter uma boa agência de propaganda contratada, a frase soaria como piada, e que ficaria melhor assim: Todos juntos, em casa, fazem um trânsito melhor.
O trânsito caótico, engarrafado provoca doença, e no meu livro a descrevo como uma síndrome. Leiam.
ENGARRAFAMENTO – UMA SÍNDROME
Acho que engarrafamento crônico já pode ser tratado como uma síndrome e deve ser incluída no Código Internacional de Doenças, como Síndrome do Engarrafamento Crônico (SEC).
Pior ainda: esta síndrome tem transmissão hereditária. De geração em geração, de repente ocorre mutação genética num indivíduo engarrafado da família, e a partir daí, se esse indivíduo tiver filhos com alguém que também sofreu esta mutação, seus filhos podem sofrer da Síndrome do Engarrafamento Crônico.
COMO DIAGNOSTICAR A SEC – O PERFIL DO ENGARRAFADO
Como toda síndrome, o engarrafamento crônico não é uma doença só, isolada, é um conjunto de doenças que se manifesta no indivíduo portador da SEC.
Perfil de risco para o indivíduo ter SEC:
1. Residir numa grande metrópole.
2. Ir para o trabalho todo dia dirigindo seu carro, e sozinho.
3. Ter mais de um emprego, sendo eles longe de sua casa.
4. No Rio de Janeiro, ser morador da Barra da Tijuca, do Recreio dos Bandeirantes, de Niterói, da Ilha do Governador ou morar em bairros que exijam o percurso de um longo trecho na Avenida Brasil e Linhas Vermelha e Amarela.
Sinais e sintomas do portador da SEC:
1. Irritação – Ao serem convidados para festas de aniversário, casamento, batizado, ou qualquer evento que não se pode faltar e os obriguem a dirigir por uma longa distância. Ou ainda: terem que ir para a praia num domingo de verão e para o Maracanã, em final de Flamengo e Vasco.
Comentário: Recentemente, pesquisadores descobriram nos portadores de SEC um novo sintoma: mal-estar ao andarem em elevadores velhos, lentos e cheios.
2. Desânimo – Ao serem convidados para reuniões na casa de amigos, churrascos, restaurante, cinema, teatro, show, e pior, dar um pulinho ali na região serrana ou na região dos lagos e voltar no mesmo dia. Quando viajam de carro por mais tempo, jamais voltam no domingo, voltam no sábado para ficar o domingo todo estirado na cama e enfrentar o engarrafamento na segunda-feira.
3. Sentimento paradoxal – Férias, viagem para o exterior somada a longas filas nos aeroportos e muitas horas de voo em classe econômica. Dramático, se houver escala com espera dentro do avião. Viagem num cruzeiro pela costa brasileira ou até a Argentina. Estar na Disney em julho e no Réveillon na Champs-Elysées ou na Times Square, nem pensar. Todos exemplos de engarrafamentos humanos. Felicidade por um lado (viagem, férias) e infelicidade por outro.
4. Insônia – Vão dormir preocupados com o trânsito do dia seguinte. Duvidam que o despertador vá funcionar. E se acabar a pilha ou faltar luz durante a noite? Por via das dúvidas, botam para funcionar dois aparelhos, ligam para o serviço despertador da companhia de telefone e também pedem a alguém para acordá-los.
5. Desespero – Ao serem convidados para a festa da virada do ano nas areias de Copacabana, Show do Rock in Rio, passagem de Ano-Novo na região dos lagos para retornarem de carro no dia primeiro de janeiro (engarrafamentos humanos).
6. Neurose – Fazem planilhas com dados sobre a quilometragem do percurso, anos de vida perdidos dentro do carro, consumo de combustível, velocidade média etc. Volta e meia fazem contas comparando os custos de andar de carro, de táxi e de ter um motorista particular.
Tratamento da SEC – Se mudar para o interior.

 

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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