EM FINAL DE ANO, ÉPOCA DE PRESENTES, VIAGENS E MUITO ENGARRAFAMENTO, É BOM LEMBRAR – CARRO BOM É CARRO NOVO. BOAS FESTAS E UM 2016 MELHOR!

carro novo
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Parafraseando a máxima do ex-delegado Sinuca os dados abaixo parecem comprovar isso:
 
Preço alto do carro velho – Frota de veículos custa R$ 9,2 bi e 8 dias perdidos no trânsito do Rio por ano.
 
Esta é a perda econômica e socioambiental provocada pelos carros velhos (entre 15 e 35 anos) que circulam pela cidade, ou seja, 845 mil automóveis (38% do total), revela estudo feito por Mac Dowell, doutor em transporte pela UFRJ.
 
Uma frota velha consome mais combustível, polui mais, anda mais devagar, provoca mais acidentes, enguiça com maior frequência e tem custo alto de manutenção (peças e mão de obra), piorando muito o tráfego.
 
 A idade média da frota do Rio é de 12,5 anos, acima de São Paulo (8,5) e da média nacional (10 anos), dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Diz o presidente desta associação e da Fiat, Cledorvino Belini, que não há política de estímulo à renovação da frota. Eis alguns motivos:
 
a) carros com mais de 15 anos não pagam IPVA e não precisam fazer vistoria anual do Detran;
 
Comentário: O Rio é o único ou um dos únicos municípios do Brasil a ter lei obrigando a vistoria anual pelo Detran. Atualmente esta legislação está sendo contestada, já havendo decisões judiciais através de liminares permitindo que algumas pessoas não sejam obrigadas a realizar essa vistoria.
 
b) o IPI de carros antigos é menor do que o de modelos novos;
 
c) inexistência de programa nacional de renovação de frota, e por isso não se sabe qual o tratamento adequado a ser dado aos veículos que ficarão fora de uso. O descarte é assunto polêmico, porque óleos residuais, por exemplo, não podem ser jogados fora em qualquer lugar, agridem o meio ambiente, relata Antônio Carlos Bento, coordenador do Grupo de Manutenção Automotiva.
 
Os Estados Unidos, em 2009, gastaram US$ 3 bilhões em um programa de incentivo para troca de carros velhos, dando cerca de R$ 7.600,00 para cada consumidor comprar um novo. No Brasil, a redução do IPI para carros novos tem apoio dos Ministérios do Desenvolvimento e Meio Ambiente, e das montadoras, mas esta política ainda não foi implementada. 
 
Bem, voltando ao tema inicial do carro, supondo que o seu carro para engarrafamento já esteja escolhido. Acho que é assim que deveriam ser vendidos: “É só neste final de semana! Isenção total de tudo na compra de seu carro para engarrafamento. Aproveite!”.
 
É preciso agora cuidar muito bem dele, porque ele será a sua casa por anos a fio. Aviso: a partir daqui até a p. 108, se você for homem, não precisa ler. Falarei só para as mulheres que gostariam de zelar pela manutenção de seus veículos, mas não sabem exatamente o que fazer. É simples e rápido, seguindo os itens abaixo e a lei geral:
 
Lei geral: No dia a dia, um carro para andar só precisa de água, combustível, óleo e pneus. Depois, basta seguir o cronograma de manutenção. 
 
1. Criar uma rotina: uma vez por semana, ir ao mesmo posto de gasolina, em mesmo dia e hora, para abastecer, verificar o óleo, calibrar os pneus e lavar. E não tem problema se toda vez que você lavar o carro chover. Lave assim mesmo, e mande aspirar. Também não se esqueça de remover todos os objetos que vão se acumulando no carro ao longo do tempo… dois anos. Uma vez decidi tirar tudo o que tinha dentro do carro da minha mulher. Deu para encher um carrinho de compras de supermercado. Tirei até uma foto.
 
2. Calibrar os pneus quando estiverem frios. Importante: Na hora de calibrar saia do carro. Não, não, o seu peso não vai prejudicar em nada a calibragem. Saia para ver no aparelho quanto está a pressão de cada um deles. Pneus sem câmara esvaziam lentamente, mas isso fica evidente nesse momento. Queda de pressão (quatro libras ou mais), pode procurar um borracheiro ou você ficará no meio do caminho com pneu vazio.
 
E o estepe? Quem se lembra de calibrar esse pneu? Bem que o frentista poderia se lembrar de perguntar: “Madame, e o estepe, não vai calibrar?”. Acho que ele se lembra, mas por preguiça não fala. Só os bons frentistas alertam o proprietário sobre o estepe. Peça para ele colocar a pressão equivalente a carga máxima, de acordo com o manual do seu carro. Depois que escrevi isso, leiam o dado abaixo que descobri:
 
Observação: Pesquisa do Ibope, encomendada pela ONG Nossa São Paulo, por ocasião do Dia Mundial Sem Carro, em 2010, revelou que apenas 8% dos motoristas pedem para calibrar os pneus quando estão abastecendo o carro no posto de gasolina.
 
3. O óleo também deve ser verificado com o carro frio. Por exemplo, você sai de manhã cedo de casa e logo na esquina para no posto. Se o frentista não for de confiança, ele sempre dirá a você que o óleo está baixo (eles ganham percentual sobre a venda de qualquer produto). Se você frequentar sempre o mesmo posto, este problema será amenizado. Se realmente estiver baixo, complete e agende visita ao mecânico. 
 
Nível de óleo baixo não é consumo apenas, é vazamento, e não se brinca com vazamento de óleo. E o golpe dos aditivos, dos fluidos, xampus, limpeza de radiador etc.? Você não vai cair nessa, não é? É por isso que você tem que ir sempre a um mesmo posto e confiar nos frentistas de lá. 
 
Observação: O nível da água do radiador também deve ser verificado com o motor frio. Não é normal estar abaixo do nível e ter que completar (mesmo raciocínio do óleo). E se for completar tem que usar mistura de água deionizada/destilada com aditivos específicos indicados pelo fabricante do motor. Por isso é melhor levar o carro para a oficina. Alguns recomendam verificar o nível duas vezes por mês, e trocar a água e limpar todo o sistema, anualmente. 
 
Resumindo: não deixe o frentista colocar água no radiador! Água da bica e sem aditivo só em caso de emergência.
 
Pronto, com isso você pode ir em frente tranquila. Ah, falta uma coisa importante para você ir em frente e tranquila, enxergando bem: encher o reservatório de água do limpador de para-brisas. E não precisa colocar líquidos especiais, só água mesmo. Olha o golpe.

 

 
Ah, outra coisa: observe se os esguichos estão voltados para o lugar indicado, isto é, para o centro do vidro para-brisas, em sua direção e na do carona. É irritante ver — mais comum pela manhã, quando o sol incide direto, de frente — um motorista acionando sem parar o esguicho que só respinga em seu vidro, atinge o carro de trás, em geral o seu, molha o motociclista, e ele ali, diminuindo a velocidade até o limpador dissipar aquela lama formada. E também com o sol direto no rosto não é hora de jogar água no vidro, porque diminui a visibilidade pelo reflexo do sol na água. 
 
Faça o seguinte: com um material pontiagudo, alfinete por exemplo, você mesmo direciona aqueles dois pitocos por onde sai a água. O frentista arruma alguma coisa para fazer isso. Peça a ele. 
 
Observações:
1. Ninguém dá bola para alinhamento de direção, balanceamento de rodas e rodízio de pneus, mas são importantes, porque além da segurança que proporcionam, seus pneus durarão mais. 
2. Desprezada também é a manutenção do ar-condicionado. E se há uma coisa fundamental para carro de engarrafamento é o ar funcionando bem. Anualmente verifique o filtro e a pressão do gás. Com o passar do tempo, a refrigeração vai diminuindo tão lentamente que você não percebe e se acostuma. Você só pensa — que calor! — principalmente quando o carro está cheio. Atribui essa sensação ao calor mais intenso, ao efeito estufa, às mudanças climáticas, à destruição do planeta etc. Mas não é nada disso, é só trocar o filtro (R$ 20,00).
3. Cuidado com a correia dentada. Não dá sinais que vai arrebentar, mas se isto ocorrer, o estrago no motor fará você gastar em torno de R$ 4 mil.
 
Tudo certo com o carro. Precisamos agora de umas ideias para passar o tempo, principalmente para os caronas, que podem fazer muito mais coisas que o pobre coitado do motorista.
 
Sugiro que em grandes engarrafamentos, cada um dirija um pouco. Já que estamos engarrafados, temos de usar medidas relaxantes e objetos antiestressantes. É o que veremos nas páginas seguintes.
 
Mas antes, lanço uma campanha: “AO DIRIGIR, NÃO FAÇA NADA; SÓ DIRIJA”. Observem no próximo post os motivos que me levaram a fazer esta campanha contra a distração ao volante. 

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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