TRAGÉDIA NO ANO DO CENTENÁRIO DA AV. NIEMEYER

av niemeyer
Em junho do ano passado, fiz homenagem à Av. Niemeyer pelo seu aniversário de 100 anos em 2016, e me referi à construção da ciclovia como sendo um belo presente prometido pela prefeitura. 

Aproveitei também para enaltecer a engenharia do Rio de Janeiro, muito conceituada na história do Brasil.

No entanto, hoje tenho que escrever… 

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No ano de seu centenário, a Av. Niemeyer ganha de presente uma ciclovia. Um trecho é arrancado por ondas do mar, morrendo duas pessoas. O carioca se curva de luto diante de brutal tragédia.

Orgulho nacional e famosa no mundo, a engenharia do Rio de Janeiro foi povoada por grandes nomes. Hoje é o que se vê. E por desafortunada coincidência, um dos mortos é justamente um engenheiro. 


(21 de abril de 2016)

av niemeyer

Obra em 1915. Em http://riodejaneiroqueeuamo.blogspot.com.br/2010/03/avenida-niemeyer.html
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Entre 1933 e 1954. Em http://pt.slideshare.net/falcettijr/um-passeio-no-tempo legenda

Ciclovia das Nações – Prefeitura do Rio e Tecnosonda. Em Diffuse Virtual Studio


Está próxima ao Hotel Nacional e a passarela da Rocinha, projetos do nosso famoso arquiteto Niemeyer, mas o nome da avenida não é em sua homenagem.

Homenageia Conrado Jacob de Niemeyer III, tio-avô do nosso conhecido Oscar Niemeyer Soares Filho. A história da engenharia do Brasil, nos últimos duzentos anos, esteve intimamente ligada à família Niemeyer, originária de Hanover (Alemanha), passando por Portugal, antes de se estabelecer no Brasil.

Desde seu ancestral mais remoto, o tenente-general Jacob Conrado von Niemeyer, nascido em Hanover, em 1728, e que se distinguiu entre os oficiais dos antigos exércitos da Alemanha, vários engenheiros-militares fizeram parte da família.

A avenida e o bairro São Conrado estão ligados ao comendador Conrado Jacob de Niemeyer III, nascido na serra do Tinguá, Nova Iguaçu, em 1842. Ele iniciou o curso de engenharia na Escola Militar e, com o falecimento do avô, dois anos depois, abandonou os estudos para trabalhar.

Apesar de não ter se formado em engenharia, sua contribuição para esta profissão é de valor inestimável. Criou o Clube de Engenharia, fundado em 1880, do qual foi tesoureiro por quarenta anos.

Adquiriu muitas terras na praia da Gávea, em 1893. Essas terras tinham sido dos monges beneditinos desde 1667, doação de dona Vitória de Sá, neta de Salvador Corrêa de Sá, terceiro governador da Cidade do Rio de Janeiro, e primo do fundador Estácio de Sá. Em 1903, construiu uma pequena igreja na praia da Gávea, batizada de São Conrado — nome atual do bairro.

O santo, evidentemente, não faz parte de sua família, mas deve ter sido escolhido por ser alemão e possuir o mesmo nome. São Conrado de Constance (Konstanz, cidade alemã, fronteira com a Suíça) faleceu em 975. Sua memória é festejada a 26 de novembro, na cidade de Constança e aqui na igreja de São Conrado, hoje Paróquia de São Conrado.

O início da construção do trajeto por onde passa a av. Niemeyer começou em 1891, no governo do Marechal Deodoro da Fonseca. Era para ser uma estrada de ferro de 193km, ligando o bairro de Botafogo ao Município de Angra dos Reis, mas a obra foi paralisada e a ideia abandonada. Em 1915, Conrado Jacob Niemeyer III bancou o projeto de construção da avenida com recursos próprios.

O responsável pela obra foi seu filho Álvaro Niemeyer, 1° Ten Engenheiro do Exército, com projeto do engenheiro civil Paulo de Frontin, prefeito do Rio na presidência de Delfim Moreira. Em 1916 foi inaugurada.

De 1933 a 1954, sob o patrocínio do Automóvel Club do Brasil, fez parte do famoso Circuito Gávea, no calendário da Federação Internacional de Automobilismo. No Hotel Leblon, no início da subida, há a seguinte inscrição:

“Automóvel Club do Brasil. Em 20 de outubro de 1916.
O primeiro Congresso Nacional de Estradas de Rodagem inaugurou esta Avenida denominada – Avenida Niemeyer, em homenagem ao Comendador Conrado Jacob Niemeyer que a concebeu e patrioticamente a custeou. Projetada pelo Dr. Paulo de Frontin, e construída pelo 1° Tenente Engenheiro Álvaro Conrado de Niemeyer.”

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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