MOTOCICLETAS NO TRÂNSITO

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Fotos feitas por mim em mais um “engarrafamento nosso de cada dia”.

 
 
Fui motociclista por muitos anos e sei bem das facilidades e dificuldades de se andar de moto pelo trânsito. Não existe o estresse de ficar parado no engarrafamento, mas em compensação, é overdose de adrenalina, atenção máxima, e até andar em trânsito engarrafado, entre os carros, é um estresse. 
 
De olhos bem abertos, para os lados, para frente e para trás porque de qualquer lugar pode surgir uma ameaça. Em trajetos mais longos, é mais cansativo do que o carro. Quando chove, nem se fala.
 
Certa vez, ia pela rua Conde de Bonfim, tranquilamente, quando, na minha frente, se parte em mil pedaços uma garrafa ou alguma coisa de vidro, atirada de não sei onde, de alguma janela de um prédio, talvez. Sim, atirada, porque estava andando no meio da pista e não na beira da calçada.
 
Em uma outra ocasião, andava pela Lagoa em direção ao Túnel Rebouças quando percebi uma pipa caindo, caindo, caindo… e na entrada do Túnel a linha já estava no meu pescoço. Atraquei-me com ela, a moto balançou pra lá e pra cá, e a linha arrebentou. Não tinha cerol. Escapei! Na época não havia “antenas corta-fio ou pescoceira especial com fios de aço”.
 
 
E mais sobre o aparador de linha (anti-cerol):
Alerj aprova lei que obriga motos a terem antenas contra linha com cerolvetada pelo Governador em exercício Francisco Dornelles, em abril de 2016 e Resolução nº 356/10 (CONTRAN) para moto-frete e moto-táxi (uso obrigatório).
 
Por outro lado, o motociclista tem muitas armas para se defender: visibilidade total, rapidez de manobras, velocidade, leveza. Não importa se o carro ou o ônibus tem ou não razão. O motociclista tem que desviar e seguir em frente. Não dá para ficar reclamando como se estivesse de carro. É perda de tempo, e tempo é a principal vantagem da moto. Comparando com moto, a visibilidade do carro é rudimentar. 
 
Ônibus, então, nem se fala. Parece uma baleia rodeada por pequenos peixes. Só dá para ver os que passam pela frente. Eu já dirigi um micro-ônibus. A visibilidade do que acontece próximo é péssima. Muitas vezes não dá para ver a moto pelos espelhos, e o motociclista acha que “foi de propósito”. Enfim, o bom motociclista se vira, literalmente, e segue em frente. E o bom motorista de carro cede sempre a vez para as motos, deixa passar logo e fica na sua. Ou vai querer andar mais rápido do que elas?
 
Mas de uns anos para cá, meus ex-colegas têm promovido uma tortura no trânsito ao buzinarem incessantemente enquanto transitam no corredor formado pelos carros, sobretudo nos engarrafamentos. Isto me estimulou a escrever o texto abaixo para a seção de Cartas dos Leitores do Jornal O Globo:
 
Andei de moto por muitos anos e não havia este buzinaço de motociclistas. Buzinam de raiva, raiva de quem se atreve a trafegar na autopista imaginária deles. Sim, eles criaram uma via expressa entre os carros e têm ódio de quem circule por ela. 
 
Por exemplo: um automóvel quer mudar de pista, um pedestre descuidado quer atravessar a rua, um ciclista quer passar por ali, não pode, ninguém pode entrar nessa highway das motos. E buzinam, buzinam, buzinam…, criando uma trilha sonora ensurdecedora para o trânsito, que de caótico vira alucinante.
 
Creio que este fenômeno surgiu com a era dos motofretistas (moto-office-boy, motoboy e depois com a moto-táxi). Sempre apressados no serviço, buzinam, e os outros motociclistas entram na onda. É preciso avisar aos condutores de moto que apenas em situações de emergência, ambulâncias, viaturas de bombeiro e de polícia podem ter circulação desimpedida, e mesmo assim respeitando as leis de tráfego. Só faltam colocar sirenes nas motocicletas.
 
Tenho uma ideia para o Detran: Por que não alocar parte dos recursos oriundos das infrações de trânsito para promover uma campanha educativa na mídia, para motoristas de carros e motos, antes que este mau hábito se torne uma coisa normal?
 
A LEI DE TRÂNSITO PERMITE QUE MOTOCICLETAS TRAFEGUEM ENTRE OS CARROS? 
 
É o assunto do próximo post.

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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