EM TEMPOS DE ÔNIBUS INCENDIADOS, A ORIGEM DOS ÔNIBUS E O RIO COMO PIONEIRO MUNDIAL NESTE TIPO DE TRANSPORTE.

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Centro do Rio

 

O Rio de Janeiro tem lugar de destaque como pioneiro no transporte público, graças a D. João VI, mesmo sendo a França precursora da ideia de transportar pessoas pela cidade, conforme será visto adiante. A família real portuguesa trouxe coche, carruagem, seges e cabriolet, transportes privados para o deslocamento de “pessoas de posse”.

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Seges

 

 

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Cabriolet

 

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Coche

No transporte individual coube à Hungria o pioneirismo. O termo “coche” vem de Kotze, cidade húngara onde foi inventado o primeiro veículo de tração animal. Os coches surgiram no século XV, cerca de trezentos anos antes das carruagens, carros primitivos mas um luxo restrito às elites.

Em 1661, Pascal – ele mesmo, o gênio da matemática e da física – concebeu a ideia de ônibus, obtendo do rei Luiz XIV concessão para explorar carruagens públicas que circulavam em Paris, com itinerário, tarifas e horários preestabelecidos. Eram carroças puxadas por cavalos para oito passageiros. Não houve muito interesse, e a ideia foi abandonada.

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Carruagem de Pascal

Em 1819, Jacques Laffite – famoso piloto de F1… brincadeira -, banqueiro e político francês, retoma a iniciativa e faz circular novamente essa modalidade de transporte na capital francesa.
A palavra ônibus e seu conceito como modalidade de transporte público parece ter sua origem na cidade de Nantes, França, onde, em 1826, Stanislas Baudry estabeleceu um transporte entre o Centro da cidade e as instalações de banhos públicos de sua propriedade em Richebourg, nos arredores da cidade, criando a l’Entreprise Générale des Omnibus.

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Ônibus de Baudry

O serviço combinava funções de carroças com diligências, percorrendo rota predeterminada, transportando passageiros e correios. O veículo, puxado por cavalos, era dotado de bancos de madeira e a entrada por trás. Percebendo que o interesse da população em se deslocar pela cidade, parando em vários pontos, era maior do que o de tomar banho, abandonou a sua loja e investiu no transporte.

O termo ônibus parece vir do local onde os carros faziam o ponto final, diante de uma chapelaria, cujo dono, Omnes, em um jogo de palavras com seu próprio nome, os denominou de omnes omnibus, em latim “tudo para todos”. O nome pareceu bastante apropriado para o novo transporte coletivo. Em outras versões, porém, ônibus simplesmente decorre de omnibus (“carro para todos”). Na Grã-Bretanha esse tipo de transporte surge em 1829 e, nos Estados Unidos, em 1932.

Antes disso, em 1817, surgia no Rio o transporte coletivo graças a D. João VI, ou melhor, ao sargento-mor da Guarda Real e barbeiro do rei, Sebastião Fábregas de Surigué. É que D. João vivia entre a residência oficial na Quinta da Boa Vista e a fazenda em Santa Cruz, palácio de verão da corte.
O beija-mão, cerimônia na qual centenas de pessoas iam reverenciá-lo e pedir favores, também ocorria na fazenda, muito distante do Centro da cidade. Sebastião percebeu a dificuldade de locomoção dos súditos e pediu permissão a D. João para explorar comercialmente esse percurso com coches e seges.

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E assim eu conto esta história, lembrando que o Rio poderia ser exemplo mundial de transporte público. Infelizmente perdemos o bonde da própria história, e hoje estamos engarrafados sem transporte coletivo eficiente.

Fonte: http://www.museudantu.org.br, http://oguaira.com.br/beija-mao e Livro Sorria, você está engarrafado.

Sobre o Autor

Mário Márcio Leal

Sou patologista humano, mas no momento estou interessado na patologia do ser urbano e sua principal doença - O ENGARRAFAMENTO.

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